Nunca vos falei muito dos meus anos de estudante em Coimbra e da minha vida académica por lá. Quando comecei este blog, pouco depois da minha última Queima, tinha arrumado o meu traje académico para sempre e sentia-me tão cansada de Coimbra e do estudo que não tinha vontade de falar sobre isso.
Passaram dois anos, e quando eu já achava que seis anos de Coimbra se tinham entranhado em mim de tal maneira que nunca mais iria ter vontade de lá voltar, a nostalgia ataca-me e as saudades voltaram com tal intensidade que não consegui ignorá-las.
Não sei se foi por ver a minha irmã finalmente cartolada e a acabar o curso, se foi por sentir de novo o peso da minha capa negra por sobre os meus ombos - capa essa que agora a minha irmã usa - ou se foi por tantas fotos de Coimbra que tenho visto estes últimos dias pelo facebook - caras conhecidas, caloiros a quem dei as boas vindas àquela cidade e que agora acabam também eles o curso, antigos colegas que aproveitaram a desculpa de mais uma queima para voltar a percorrer aquelas ruas - mas a verdade é que as saudades que pareceram adormecidas por tanto tempo explodiram de tal maneira no meu peito que me deu vontade de chorar. Um choro daquele choro que todos os anos me banhava os olhos ao ouvir as guitarras soar em serenata aos pés da Sé Velha.
Foram seis anos que parecem outra vida, um sonho quase. Coimbra tem um estranho poder de tornar tudo num nostálgico fado. Os risos, as tristezas, as histórias quase irreais que preencheram aquelas ruas, que estarão para sempre gravadas em mim... As noites sem dormir, o céu que clareava por sobre o Mondego, a Cabra lá no cimo, vigilante fiel dos segredos de estudante, as ruas íngremes, as pedras gastas, as capas negras sussurrantes que nos tornavam a todos num só. As sombras do Penedo da Saudade, os cantos do Jardim Botânico que tantas vezes me viram chorar, que tantas vezes foram o meu refugio para escrever, as escadas gastas da Sé Velha em que tantas vezes me sentei, os corredores sinistros da velhinha faculdade, o gotejar cintilante das fontes do Jardim da Sereia, as tardes serenas nas águas do Mondego, o ar verdejante do Choupal.
Sei que aproveitei tudo, espremi aqueles anos e bebi aqueles momentos, cravei-os bem fundo lá dentro de mim. E tenho saudades de todos aqueles que conheci, todos os amigos que fiz e que agora têm a sua vida, que andam por aí espalhados, tal como eu. Tenho saudades daquele ar seco com o seu perfume particular, da "hora dos pássaros" naquelas tardes primaveris em que as andorinhas pareciam inundar os céus, daqueles dias de Queima das Fitas em que o traje era obrigatório e havia sempre maneira de aproveitar a noite.
Quem teve a sorte de viver entranhado na vida académica de Coimbra sabe bem do que falo. Quem, como eu, ouviu soar a Cabra vezes sem conta, ouviu as guitarras chorar ao bater da meia noite, sentiu na alma o que é ser estudante de Coimbra, sabe do que falo.
E as palavras eternas de um tão conhecido fado conimbricence dizem, como ninguém, tudo isto...
"Capas negras de saudade, no momento da partida.
Segredos desta cidade, levo comigo para a vida..."
A todos aqueles que comigo partilharam esses anos da minha vida... Obrigada... serão sempre parte de mim.
PS: This time, just in portuguese, sorry... feel free to translate ;)






















